Por que crianças aprendem mais rápido?

Alguns acadêmicos insistem que crianças aprendem mais rápido ou que crianças aprendem de forma diferente. Tudo isso não passa de uma tentativa de justificar as próprias falhas e a própria covardia. Criança aprende um idioma rápido porque ela não tem medo do desconhecido. As crianças ficam quietas e ouvem, não fazem perguntas sobre gramática e não perguntam o porquê das coisas. Criança simplesmente ouve e imita.

Mesmo que haja alguma diferença no cérebro da criança, essa diferença é desprezível. A principal diferença entre crianças e adultos está na atitude!

Ao ficarmos adultos, adquirimos a péssima mania de querer uma explicação lógica para tudo. Perdemos a inocência de simplesmente acreditar nas coisas. Isso tem suas vantagens, claro. Assim evitamos ser enganados e aprender coisas erradas. Mas é importante saber diferenciar quando devemos ser adultos e quando podemos ser crianças.

A vantagem das crianças é exatamente o fato de não saberem nada, de não serem maduras e não terem pensamento crítico. Não é preciso, e nem devemos, raciocinar para aprender um idioma. Idioma não é uma ciência exata, não é algo feito em cima de regras e leis, não é algo que decoramos. Quanto menos perguntas fizermos, melhor! A chave é simplesmente continuar exposto a língua o maior tempo possível, absorvendo aos poucos.

A verdade é que nós podemos aprender mais rápido do que as crianças! Nós não temos a necessidade de aprender todo o conceito das palavras, pois já aprendemos com a nossa língua materna.

Lembre-se que ao assumir que uma criança aprende mais rápido você está assumindo a própria inferioridade. Como você espera aprender algo se possui uma crença limitante que diz que você não tem capacidade para aprender com eficiência máxima? Você acha bonito assumir que é pior do que um menininho de 5 anos?

Vamos lá, nós já fizemos isso uma vez em nossa vida. É só repetir o processo!

Qualquer um pode aprender um idioma!

Aprender idiomas não é uma habilidade especial! É uma capacidade natural dos seres humanos e qualquer um pode fazê-lo!

Várias pessoas acabam tendo sua inteligência superestimada pelo fato de dominarem uma ou várias línguas estrangeiras. Mas o problema é quando alguém se auto-denomina incapaz ou com dificuldades para tal, na maioria das vezes devido a uma má adaptação ao sistema formal de ensino.

Muitos gênios da história não falavam mais do que a própria língua, assim como são infinitos os casos de pessoas que tiveram oportunidade de crescer em ambiente bilíngue mas não possuem um intelecto acima do comum.

Não existem pessoas com talento ou com uma facilidade especial para aprender línguas. Como disse Kató Lomb em seu livro POLYGLOT – How I Learn Languages: “An innate ability to learn languages, or rather the qualities that make up this skill, are not possible to find in one person“.

O único pré-requisito para começar a aprender um idioma é querer. A partir do momento que a pessoa realmente quer, não existem mais barreiras. Tudo é uma questão de motivação e iniciativa.

Quer aprender uma língua? Comece agora! Comece com aquilo que você se sente confortável. Encare o idioma sem medo, busque conteúdos de seu interesse e comece a se aventurar neste mundo desconhecido. Imagine-se uma criança redescobrindo o mundo. Uma criança ouve os adultos conversarem sem se preocupar se está entendendo o conteúdo da conversa. Uma criança assiste TV com os adultos sem se preocupar se está entendendo. Então por que nós adultos acabamos tendo tanto medo de simplesmente ouvir?

É assim que começa, muito input. No começo sem entender nada, depois entendendo um pouco até que em seu devido momento estará compreendendo praticamente tudo, durante esse processo a capacidade de falar vem se desenvolvendo naturalmente.

Está na hora das pessoas pararem com este processo de auto-destruição que ocorre quando assumimos que não somos capazes, que não temos intelecto suficiente ou que não temos facilidade. Todos nós podemos aprender muito bem um idioma!

Input acima de tudo!

Tanto eu quanto o Luiz somos uns “inputeros”. Calma, não é palavrão não! Eu quero dizer que somos viciados e adeptos da teoria do Input. Mas que diabos é isso? Como o Luiz explicou aqui, Input é tudo que entra, tudo o que você escuta e lê num idioma. Esse texto que você está lendo agora, assim como a música que você está (provavelmente) escutando, são formas de Input (nesse caso, Input em língua portuguesa).

Quando digo que somos viciados e adeptos da teoria do input, quero dizer que acreditamos que Input é o método definitivo para se aprender idiomas. Enquanto nos métodos tradicionais a lei é “fale bastante para aprender a falar”, acreditamos justamento no oposto “fale o mínimo possível para aprender a falar!”

Isso pode parecer revolucionário, extremista ou sem fundamento, mas é o que a experiência de anos de estudos vem nos mostrando. Deixe-me explicar como isso funciona…

Por que todo mundo é capaz de responder essa pergunta quase sem pensar?

Pergunta: What’s your name?
Resposta: My name is fulano.

Eu creio que 80% ou mais das pessoas sabem responder a pergunta sem NUNCA terem treinado ou feito exercícios sobre “What’s your name?” e “My name is…”. A razão disso é que todo mundo já ouviu e está cansado de ouvir estas frases! De tanto ouvir, você já é capaz de repetí-las sem nunca tê-las praticado!

Um outro exemplo: quando você vê um comercial de TV várias vezes, não acaba lembrando das falas do comercial? “Sempre coca-cola”, “Globo e você, tudo a ver”, “Amo muito tudo isso”, “Oi!” (lembra da criancinha do comercial da Oi?), etc. Tudo isso fica guardado na nossa cabeça, incluindo a voz, o ritmo e a entonação do narrador/falante. Ninguém fica em casa repetindo “Globo e você, tudo a ver”, mas todo mundo lembra da frase e é capaz de citá-la caso necessário.

Isso tudo é resultado de Input. Exposição a uma determinada informação a tal ponto que ela (a informação) fica sedimentada na nossa cabeça.

No aprendizado de idiomas, os que aprendem mais são os que têm mais Input, ou seja, os que passam mais tempo expostos ao idioma. São aqueles que assitem a mais filmes, jogam mais videogame, leem mais livros, escutam mais músicas e assim por diante. Não adianta só ir na aula e fazer a lição, é preciso estar constantemente em contato com o idioma, deixando que a língua entre de pouquinho em pouquinho na sua cabeça.

Uma boa metáfora para entender a teoria do Input é pensar que existe um copo d’água dentro da sua cabeça e cada vez que você lê/escuta algo em inglês/japonês/chinês/etc. uma gota d’água é colocada no copo. Aos poucos, o copo vai enchendo. Quanto mais cheio, mais você entende. Um dia, ele vai transbordar e a água começará a sair do copo. É exatamente nesse ponto que você vai começar a falar! Você pode ver que todo mundo que fala um idioma estrangeiro tem ou teve uma alta exposição ao mesmo em algum ponto de suas vidas, seja viajando para o exterior, vendo centenas de filmes e seriados, jogando centenas de horas de videogame ou lendo toneladas de livros, revistas e blogs. É justamente essa exposição (e não as aulas e o “treino” de fala) que faz com que eles consigam falar o idioma fluentemente.

Gastamos tempo demais produzindo a língua (Output), fazendo exercícios e treinado a nossa fala, enquanto deveríamos estar escutando e lendo. A orientação que tenho nas escolas de inglês é fazer com que os alunos falem o máximo possível. No início, até pensei que isso daria certo, mas quanto mais eles falam, piores ficam (principalmente nos níveis iniciais), falando cada vez mais errado e entendendo cada vez menos. Já quando dou liberdade para os alunos falarem em português, porém me comunico com eles em inglês, eu noto que, quando eles precisam falar, saem-se normalmente muito melhor do que aqueles que ficaram treinando a fala sem ter tido uma boa carga de Input. Acredito que isso acontece, pois eles (os que falam bem) estão acostumados a ouvir inglês correto e compreensível, além de não terem a constante pressão e o nervosismo do tipo “tenho que falar inglês na sala”.

Se você tem dificuldades para falar o idioma que estuda, eu sugiro parar e pensar na quantidade de Input que recebe. Quantas horas por semana você escuta o idioma? Quantas páginas você lê? Tente aumentar esse número e diminuir o tanto que fala e faz exercícios. Continue nesse ritmo durante alguns meses e espere os resultados, pois eles virão! Como eu disse no título do post: Input acima de tudo!

Saiba mais

Antimoon – Input
Stephen Krashen’s Theory of Second Language Acquisition

Definindo ‘input’ e ‘output’

Em textos e artigos sobre o aprendizado de idiomas e linguística, é comum nos depararmos com estes dois termos: input e output. Também são muito utilizados na informática, na engenharia e em outras áreas. Para todos os casos, a definição é, em princípio, a mesma.

O que eles querem dizer no ramo da linguística? Vejamos!

Input / Output

Input (Entrada) – É o estímulo que recebemos do ambiente externo. Consideramos como input o ato de ouvir e ler no idioma estrangeiro.

Output (Saída) – É aquilo que produzimos e fornecemos ao ambiente. Consideramos como output o ato de falar e escrever no idioma estrangeiro.

Existem várias teorias quanto a relação entre ambos e qual o grau de importância de cada um durante o aprendizado de uma língua.

Devemos praticar output? O output vem naturalmente após uma carga considerável de input? Devemos receber o máximo de input possível mesmo quando ainda não entendemos nada? É a partir destas perguntas que descobriremos as melhores maneiras de se aprender um idioma!