Falhar – Parte 1: A chave do sucesso!

Escrevo esta postagem me baseando no texto titulado Aim to Fail, escrito por Khatzumoto em seu blog All Japanese All The Time. Por ser o texto que mais influenciou minha maneira de encarar as coisas, tanto no aprendizado de idiomas quanto na vida toda, resolvi fazer a minha versão.

Tudo se baseia no princípio de que para se ter sucesso, é necessário falhar. O sucesso é diretamente proporcional a quantidade de falhas. As pessoas que conseguiram as coisas, na verdade são as que mais falharam.

Isto vem desde os primórdios. Podemos dizer que a humanidade chegou até o estado que se encontra atualmente graças a este princípio. Tudo foi desenvolvido em cima da tentativa e erro. Pense, para um índio descobrir que determinada planta tem efeitos medicinais, quantas plantas sem efeito algum ou até mesmo venenosas foram experimentadas? Para descobrir como fazer fogo, quantas tentativas que não deram certo houveram? Quantas vezes os irmãos Wright falharam tentando criar uma máquina capaz de voar?

Pelé marcou 1284 gols, mas quantos ele errou? Ele jogou 1375 partidas, sua média de sucesso é inferior a 1 gol por jogo. E mesmo assim ele é considerado o maior jogador de futebol de todos os tempos.

Ayrton Senna venceu 3 campeonatos de Fórmula 1, mas perdeu outros 7. Venceu 41 corridas, mas perdeu 121.

Michael Jordan errou mais de 9000 arremessos e perdeu mais de 300 jogos em sua carreira. Mas no fim é considerado um dos maiores jogadores de basquete da história.

Apesar da idéia parecer tão óbvia, a sociedade chegou em um ponto onde as falhas são condenadas e ridicularizadas, desenvolvendo nas pessoas um medo muito grande por elas, deixando-as sempre na zona de conforto.

A escola, por exemplo, é uma grande desencorajadora das falhas. Os alunos evitam responder perguntas do professor sem terem certeza de estarem certos pois senão todos darão rizada. O sistema de ensino trata as falhas como algo digno de punição: Se o aluno falha, ele toma uma nota vermelha, toma bronca dos pais, é enviado para uma sala de recuperação e corre o risco de repetir de ano, além de constantemente estar ouvindo dos professores que se continuar assim não terá sucesso na vida, não entrará para uma boa faculdade, não conseguirá um bom trabalho e acabará pobre.

Se um adolescente passa por quatro faculdades diferentes antes de encontrar aquilo que realmente gosta, ele é criticado e ridicularizado, taxado como indeciso ou preguiçoso.

Jovens em depressão e sem auto-estima, jovens abandonando a escola, jovens achando que não tem perspectiva de futuro e suicídios são apenas algumas das consequências mais graves desta realidade. A consequência comum é a formação de pessoas com medo de inovar e de arriscar. Pessoas que apenas seguem o fluxo ditado pelo sistema e com isso as grandes descobertas e criações vão ficando cada vez mais escassas.

Esse medo fortificou na cabeça das pessoas a crença no talento. Ao invés de analizar o que os levou ao sucesso, os destaques do esporte, por exemplo, são considerados apenas talentosos.

Ao ver uma pessoa que sabe cantar, é muito comum o comentário “Nossa, que talento natural para canto essa pessoa tem!”. Isso acontece também no aprendizado de línguas estrangeiras, é dito que certas pessoas tem facilidade para aprender idiomas, sendo que na verdade qualquer um pode fazê-lo.

A fobia pelas falhas também tem relação com a crença de que as crianças aprendem mais rápido. O fato é a que criança ainda não foi completamente influenciada por esse medo. Tentativa e erro é uma característica natural do ser humano, foi essa característica que nos trouxe até aqui, logo, todas as crianças possuem.

A criança é também menos massacrada por suas falhas. Uma criança que gosta de cantar pode passar o dia inteiro cantando desafinado que não sofrerá com piadas, pelo contrário, acharão bonitinho. Com isso, quando ela ficar mais velha, já terá falhado o suficiente para cantar bem, agora as pessoas dirão que ela tem talento. E se um adulto quiser aprender a cantar? O processo é exatamente o mesmo, horas falhando até que aos poucos ficará bom. Porém, antes mesmo de começar muitas pessoas já ativam suas crenças auto-destrutivas, assumindo que não possuem talento ou que não levam jeito para a coisa. Segundo que, se de fato tentar, será massacrada pela sociedade. No fim permanece a velha idéia de que crianças aprendem as coisas mais rápido e de que certas pessoas possuem talentos especiais para algumas habilidades.

Quando alguém é bom em determinada área, as pessoas costumam olhar apenas para o resultado final ao invés de analizar todo o processo que levou esse alguém ao sucesso. Esse processo quase sempre está ligado ao número de falhas. A quantidade de falhas é diretamente proporcional ao sucesso.

Mas o que é falhar? Para não entrarmos em uma discussão filosófica sobre o conceito de falhar, vou apenas expor qual o tipo de falha a qual me refiro.

Falhar significa tentar fazer aquilo que está além da sua capacidade atual. Permanecer na zona de pânico, rodeado pelo desconhecido. As pessoas costumam ter medo disso, enxergam esse tipo de falha como algo pior do que ela realmente é. A boa notícia é que a grande maioria das falhas são na verdade inofensivas. Poucos são os casos onde falhar pode colocar dinheiro ou vidas em risco.

Com isso, vamos as conclusões:

  • Falhar é bom.
  • Você deve falhar.
  • Você deve buscar situações onde possa falhar.
  • Quem não falha não desenvolve habilidades de alto nível.
  • Se alguém é bom em algo, essa pessoa falhou muito.
  • Divirta-se com a zona de pânico.

Mas o que isto tem a ver com o assunto deste blog?

TUDO! Aprender um idioma é passar horas e mais horas falhando.

Na segunda e última parte deste texto falarei sobre a ligação entre falhas e língua estrangeira. Aguarde!

Pare de dar desculpas para não estudar uma língua

É muito comum encontrar pessoas dizendo que querem ou que precisam estudar um idioma mas logo em seguida despejam uma série de desculpas para não começar.

As desculpas mais comuns (e esfarrapadas) são:

  • Não tenho dinheiro para pagar um professor
  • Não tem curso em minha cidade
  • Não tenho tempo
  • Não tenho como ir ao exterior
  • Não sei por onde começar
  • Não tem ninguém para me ajudar
  • Minha internet é lenta
  • Não sei onde encontrar livros
  • Não gosto de ler na tela do computador
  • Tenho dificuldade
  • E muitas outras…

Isso só reflete uma coisa: Falta de vontade!

A pessoa que utiliza desculpas para não estudar é porque no fundo ela não quer. Simples.

Pare e pense: Você inventa empecilhos para não estar aprendendo? Caso a resposta seja positiva, pense novamente: Será que você realmente quer isso? Será que você realmente gosta disso?

Quando uma pessoa quer e gosta de algo ela supera qualquer barreira. Não existem empecilhos, todos são devidamente contornados, a paixão fala mais alto e as soluções aparecem.

Todas as soluções estão de baixo do seu nariz, basta querer encontrá-las.

  • Não tenho dinheiro para pagar um professor
    Você não precisa de um professor
  • Não tem curso em minha cidade
    Você não precisa de um curso
  • Não tenho tempo
    Sim, você tem, apenas precisa se organizar melhor. O dia tem 24 horas, você trabalha 24 horas por dia? Tenho certeza absoluta que não.
  • Não tenho como ir ao exterior
    Você não precisa ir ao exterior, graças ao advento da internet
  • Não sei por onde começar
    Por qualquer lugar, não existe um ponto universal de início.
  • Não tem ninguém para me ajudar
    Você não precisa de ajuda.
  • Minha internet é lenta
    Deixe fazendo downloads de madrugada.
  • Não sei onde encontrar livros
    Se você está lendo este blog, você tem internet. Isso é tudo.
  • Não gosto de ler na tela do computador
    Compre uma impressora ou largue de frescurite de mariquinha.
  • Tenho dificuldade
    Não existe dificuldades para aprender línguas pois isto é uma habilidade natural do ser humano

Viu como é simples?

Agora, se o seu motivo for “Eu não gosto e não quero”, primeiramente parabéns por assumir, minha recomendação é que busque aquilo que gosta de fazer.

Até a próxima!

Por que crianças aprendem mais rápido?

Alguns acadêmicos insistem que crianças aprendem mais rápido ou que crianças aprendem de forma diferente. Tudo isso não passa de uma tentativa de justificar as próprias falhas e a própria covardia. Criança aprende um idioma rápido porque ela não tem medo do desconhecido. As crianças ficam quietas e ouvem, não fazem perguntas sobre gramática e não perguntam o porquê das coisas. Criança simplesmente ouve e imita.

Mesmo que haja alguma diferença no cérebro da criança, essa diferença é desprezível. A principal diferença entre crianças e adultos está na atitude!

Ao ficarmos adultos, adquirimos a péssima mania de querer uma explicação lógica para tudo. Perdemos a inocência de simplesmente acreditar nas coisas. Isso tem suas vantagens, claro. Assim evitamos ser enganados e aprender coisas erradas. Mas é importante saber diferenciar quando devemos ser adultos e quando podemos ser crianças.

A vantagem das crianças é exatamente o fato de não saberem nada, de não serem maduras e não terem pensamento crítico. Não é preciso, e nem devemos, raciocinar para aprender um idioma. Idioma não é uma ciência exata, não é algo feito em cima de regras e leis, não é algo que decoramos. Quanto menos perguntas fizermos, melhor! A chave é simplesmente continuar exposto a língua o maior tempo possível, absorvendo aos poucos.

A verdade é que nós podemos aprender mais rápido do que as crianças! Nós não temos a necessidade de aprender todo o conceito das palavras, pois já aprendemos com a nossa língua materna.

Lembre-se que ao assumir que uma criança aprende mais rápido você está assumindo a própria inferioridade. Como você espera aprender algo se possui uma crença limitante que diz que você não tem capacidade para aprender com eficiência máxima? Você acha bonito assumir que é pior do que um menininho de 5 anos?

Vamos lá, nós já fizemos isso uma vez em nossa vida. É só repetir o processo!

Por que tanto medo do desconhecido?

Quando sugiro para que um interessado em aprender um idioma assista seus filmes e séries sem legenda, a grande maioria me responde: “Mas aí eu não vou entender nada!”.

Então pergunto, qual o problema em ouvir um idioma e não entender nada? Você fez isso durante muitos anos da sua vida! Depois de nascer, nós ouvimos aproximadamente 5.000 horas da língua nativa, sem entender praticamente nada, até começarmos a soltar nossas primeiras palavras.

Ao aprender um idioma, é preciso acostumar-se a estar rodeado de informações desconhecidas e incompreensíveis. Terá sucesso quem aprender a se divertir com isso, se divertir em busca da compreensão, sem entrar em pânico por não estar entendendo.

Deixe que aqueles sons estranhos entrem pelos seus ouvidos e deixe o seu cérebro trabalhar. Qual o problema em não entender? Você é tão covarde a ponto de temer meras palavrinhas que você ainda não conhece?

Se você quer tanto assim entender seu seriado, trabalhe em cima disso ao invés de recorrer ao recurso mais improdutivo do universo, a legenda. Assista denovo, leia o review, leia o spoiler (tudo no idioma), assista denovo, converse sobre, leia as discussões nos fóruns. Tudo isso fará bem ao seu aprendizado. Não jogue o seu tempo fora, o que você ganha assistindo um filme legendado além de um pouquinho de diversão? Você pode ter essa mesma diversão (ou ainda maior, se você for uma pessoa que se diverte explorando o desconhecido) junto com uma boa dose de aprendizado.

Alguns dizem que aprendem palavras graças as legendas. Não podemos negar que é possível aprender algumas palavrinhas desta forma, o problema é que lendo a legenda, você além de estar dividindo sua atenção entre o áudio e a leitura, está criando meras associações do tipo palavra(idioma_x) = palavra(idioma_y). Você não está absorvendo o idioma, você não está adquirindo o idioma, está apenas memorizando palavras.

“Um idioma não se aprende, se adquire.”

PARA ENTENDER É PRECISO NÃO ENTENDER

É importante frizar que você nunca, mas nunca acordará em um belo domingo ensolarado, após alguns anos estudando apostilas feitas para estrangeiros, memorizando listas de vocabulários ou frequentando um curso, ligará um filme no idioma estudado e entenderá tudo. Eu lhe garanto que isto nunca irá acontecer.

Para entender é preciso não entender. Você só se tornará capaz de entender tudo em determinado idioma depois de passar muito tempo sem entendê-lo. Isso parece óbvio, mas as pessoas simplesmente ignoram os conteúdos nativos alegando não compreendê-los, que ainda são iniciantes e estão estudando o básico. Isto está errado, exatamente por ainda não entender e ser iniciante é que você deve cair de cara nos conteúdos nativos e insistir.

Hoje eu assisto novelas japonesas sem legenda e posso dizer que compreendo 95% do que é falado, os outros 3% eu aprendo na hora graças ao contexto e os outros 2% são desprezíveis, totalizando 100% na compreensão das histórias. Eu só cheguei a este ponto porque assisto coisas sem legenda em japonês desde quando eu tinha apenas 1 mês de estudo!  Eu não entendia nada mas buscava me divertir com a sonoridade do idioma, com as imagens, com o cenário. Tentava ligar o som ao que estava acontecendo. Cada dia aprendia uma coisa nova, que me ajudava aprender mais no dia seguinte, criando uma bola de neve.

Se hoje você entende 0.5% do que é falado, semana que vem entenderá 2%. Mês que vem entenderá 3%. Ano que vem entenderá 20% e por aí vai. Não adianta sentar e ficar esperando, nenhum livro didático e nenhum professor o levará até o topo da montanha para que depois você simplesmente desça esquiando. “Se você quiser esquiar, terá que escalar a montanha”.

A sua capacidade em um idioma depende unicamente da quantidade de exposição que você se submete a ele! Não fique esperando o dia que nunca chegará! Mexa-se, vá em frente, encare o desafio bravamente!

Qualquer um pode aprender um idioma!

Aprender idiomas não é uma habilidade especial! É uma capacidade natural dos seres humanos e qualquer um pode fazê-lo!

Várias pessoas acabam tendo sua inteligência superestimada pelo fato de dominarem uma ou várias línguas estrangeiras. Mas o problema é quando alguém se auto-denomina incapaz ou com dificuldades para tal, na maioria das vezes devido a uma má adaptação ao sistema formal de ensino.

Muitos gênios da história não falavam mais do que a própria língua, assim como são infinitos os casos de pessoas que tiveram oportunidade de crescer em ambiente bilíngue mas não possuem um intelecto acima do comum.

Não existem pessoas com talento ou com uma facilidade especial para aprender línguas. Como disse Kató Lomb em seu livro POLYGLOT – How I Learn Languages: “An innate ability to learn languages, or rather the qualities that make up this skill, are not possible to find in one person“.

O único pré-requisito para começar a aprender um idioma é querer. A partir do momento que a pessoa realmente quer, não existem mais barreiras. Tudo é uma questão de motivação e iniciativa.

Quer aprender uma língua? Comece agora! Comece com aquilo que você se sente confortável. Encare o idioma sem medo, busque conteúdos de seu interesse e comece a se aventurar neste mundo desconhecido. Imagine-se uma criança redescobrindo o mundo. Uma criança ouve os adultos conversarem sem se preocupar se está entendendo o conteúdo da conversa. Uma criança assiste TV com os adultos sem se preocupar se está entendendo. Então por que nós adultos acabamos tendo tanto medo de simplesmente ouvir?

É assim que começa, muito input. No começo sem entender nada, depois entendendo um pouco até que em seu devido momento estará compreendendo praticamente tudo, durante esse processo a capacidade de falar vem se desenvolvendo naturalmente.

Está na hora das pessoas pararem com este processo de auto-destruição que ocorre quando assumimos que não somos capazes, que não temos intelecto suficiente ou que não temos facilidade. Todos nós podemos aprender muito bem um idioma!