Onde encontrar material para estudo?

Você decidiu que quer aprender dinamarquês, pois acha a Dinamarca um país muito legal . Quer conhecer a velha Zelândia e a rainha Margarida II.

É um bom começo, mas aí começa o transtorno, você não conhece ninguém que fala dinamarquês, não conhece nenhuma escola de dinamarquês, nem sequer consegue localizar a Dinamarca num mapa da Europa.

“O que fazer, como fazer?”

Se você está aqui, no Language Freaks, blog sobre aprendizagem de língua, já é um bom começo.

“Mas e aí, que faço depois?”

Sei lá. Não sou eu quem quer aprender dinamarquês. É você! Ou seja, se vira.

“ Mas eu não conheço ninguém que fala dinamarquês, nem nenhuma escola de dinamarquês.”

Isso você já disse. Vamos aos pontos:

A internet é um excelente lugar para se buscar informação, deveriam ensinar isso na escola. Comece por isso aqui. Achou algo? Fácil, não?

O Google é muito bom para achar coisas, mas é melhor ainda para achar informação inútil. Informação inútil é, definitivamente, o que você não quer achar. Afinal, quanto mais rápido aprender dinamarquês, mais rápido estará junto às loiras dinamarquesas, que não são tão bonitas quanto as suecas, mas ainda assim valem todo seu esforço.

Próximo passo: Adquirir material de qualidade.

Quanto você está disposto a pagar por esse material?

Se sua resposta for “o necessário”, então você pode procurar no ebay, na Amazon e em outras grandes livrarias por livros, DVDs, CDs ou qualquer coisa  em dinamarquês,  sobre dinamarquês, para dinamarquês, ou mesmo sem dinamarquês, só pra esbanjar.

Se sua resposta for algo como “eu até quero gastar um dinheiro, mas não posso gastar muito”, então você deve procurar por meios alternativos. Já tentou procurar livros em sebos? Eles são bem baratos! Outra alternativa é procurar material usado em sites de vendas, como o Mercado Livre. Por fim, você pode também procurar em sites de relacionamentos, no orkut por exemplo, existem comunidades de venda de artigos usados.

Agora, se você não quer gastar dinheiro com isso, então meu caro, você ainda tem toda (ou quase toda) a internet à sua disponibilidade. No Google e na Wikipedia você pode achar muita informação gratuíta. Em outros sites mais específicos, como o Livemocha e o LingQ (parcialmente gratuito), você encontra mais informação gratuita e links para mais e mais informação gratuita.

Mas, e se eu tiver internet ruim ou pouco tempo para ficar na internet?

Então, meu caro, você deve procurar outros lugares que disponham de informação gratuita. Esses lugares existem e (pasmem novamente) há muito tempo. Os principais são bibliotecas públicas e centros culturais, alguns oferecem cursos gratuitos de idiomas, principalmente esses com pouca procura, como é o caso do seu dinamarquês.

Em suma, o que você deve fazer é procurar. Procurar. Raramente se encontra o que se quer na primeira tentativa, isso vale para tudo, procurar material para estudar um idioma não é excessão. Então vá a procura, digite no Google, no Altavista, no Cadê; pergunte aos seus amigos, à sua professora da faculdade, à sua mãe, ao seu papagaio, etc. Não desista. Uma hora você encontra o que quer. Mas é preciso procurar.

Por que tanto medo do desconhecido?

Quando sugiro para que um interessado em aprender um idioma assista seus filmes e séries sem legenda, a grande maioria me responde: “Mas aí eu não vou entender nada!”.

Então pergunto, qual o problema em ouvir um idioma e não entender nada? Você fez isso durante muitos anos da sua vida! Depois de nascer, nós ouvimos aproximadamente 5.000 horas da língua nativa, sem entender praticamente nada, até começarmos a soltar nossas primeiras palavras.

Ao aprender um idioma, é preciso acostumar-se a estar rodeado de informações desconhecidas e incompreensíveis. Terá sucesso quem aprender a se divertir com isso, se divertir em busca da compreensão, sem entrar em pânico por não estar entendendo.

Deixe que aqueles sons estranhos entrem pelos seus ouvidos e deixe o seu cérebro trabalhar. Qual o problema em não entender? Você é tão covarde a ponto de temer meras palavrinhas que você ainda não conhece?

Se você quer tanto assim entender seu seriado, trabalhe em cima disso ao invés de recorrer ao recurso mais improdutivo do universo, a legenda. Assista denovo, leia o review, leia o spoiler (tudo no idioma), assista denovo, converse sobre, leia as discussões nos fóruns. Tudo isso fará bem ao seu aprendizado. Não jogue o seu tempo fora, o que você ganha assistindo um filme legendado além de um pouquinho de diversão? Você pode ter essa mesma diversão (ou ainda maior, se você for uma pessoa que se diverte explorando o desconhecido) junto com uma boa dose de aprendizado.

Alguns dizem que aprendem palavras graças as legendas. Não podemos negar que é possível aprender algumas palavrinhas desta forma, o problema é que lendo a legenda, você além de estar dividindo sua atenção entre o áudio e a leitura, está criando meras associações do tipo palavra(idioma_x) = palavra(idioma_y). Você não está absorvendo o idioma, você não está adquirindo o idioma, está apenas memorizando palavras.

“Um idioma não se aprende, se adquire.”

PARA ENTENDER É PRECISO NÃO ENTENDER

É importante frizar que você nunca, mas nunca acordará em um belo domingo ensolarado, após alguns anos estudando apostilas feitas para estrangeiros, memorizando listas de vocabulários ou frequentando um curso, ligará um filme no idioma estudado e entenderá tudo. Eu lhe garanto que isto nunca irá acontecer.

Para entender é preciso não entender. Você só se tornará capaz de entender tudo em determinado idioma depois de passar muito tempo sem entendê-lo. Isso parece óbvio, mas as pessoas simplesmente ignoram os conteúdos nativos alegando não compreendê-los, que ainda são iniciantes e estão estudando o básico. Isto está errado, exatamente por ainda não entender e ser iniciante é que você deve cair de cara nos conteúdos nativos e insistir.

Hoje eu assisto novelas japonesas sem legenda e posso dizer que compreendo 95% do que é falado, os outros 3% eu aprendo na hora graças ao contexto e os outros 2% são desprezíveis, totalizando 100% na compreensão das histórias. Eu só cheguei a este ponto porque assisto coisas sem legenda em japonês desde quando eu tinha apenas 1 mês de estudo!  Eu não entendia nada mas buscava me divertir com a sonoridade do idioma, com as imagens, com o cenário. Tentava ligar o som ao que estava acontecendo. Cada dia aprendia uma coisa nova, que me ajudava aprender mais no dia seguinte, criando uma bola de neve.

Se hoje você entende 0.5% do que é falado, semana que vem entenderá 2%. Mês que vem entenderá 3%. Ano que vem entenderá 20% e por aí vai. Não adianta sentar e ficar esperando, nenhum livro didático e nenhum professor o levará até o topo da montanha para que depois você simplesmente desça esquiando. “Se você quiser esquiar, terá que escalar a montanha”.

A sua capacidade em um idioma depende unicamente da quantidade de exposição que você se submete a ele! Não fique esperando o dia que nunca chegará! Mexa-se, vá em frente, encare o desafio bravamente!

Imersão Artificial: Como criar

Nesta postagem, darei dicas de atitudes que podem ser tomadas para se criar um ambiente artificial de imersão no idioma. Lembre-se que isto não é uma receita de bolo e não estamos dizendo que é assim que deve ser feito. São apenas algumas dicas para mostrar como que com um pouco de atitude podemos criar um ambiente de imersão.

Músicas

Garanta que pelo menos 90% do seu repertório musical seja no idioma estudado. Aprenda a gostar dos artistas daquele país, leia suas biografias e fique atento aos lançamentos. Como no Brasil, nos outros países também existem portais na internet sobre música, você deve acompanhá-los.

Apenas ouvir música não fará com que você aprenda a falar uma língua. Elas são um complemento e uma opção para aumentar a imersão. Música é diversão. Nos momentos em que você ouviria suas músicas rotineiras, ouça músicas no idioma.

Filmes, seriados e desenhos animados

Assista muitos filmes, seriados, desenhos animados ou qualquer outro conteúdo em vídeo. Com a internet é muito fácil obter estes materiais. Hoje, temos sites como YouTube e Google Video. Aproveite-os ao máximo!

Muitos sites vendem conteúdo em vídeo diretamente do exterior. Você pode, por exemplo, comprar séries americanas dubladas em alemão (caso você estude alemão) ou desenhos animados japoneses dublados em inglês (caso você estude inglês).

Além de milhares de outros sites que fornecem tudo isso gratuitamente. O seu melhor amigo nestas horas se chama Google. Vá a caça!

Páginas de internet

Sempre que precisar fazer uma pesquisa sobre qualquer assunto na internet, utilize sites no idioma estudado! Navegue por muitos sites, fóruns, comunidades virtuais e Wikipedia. A partir de agora, português é só em último caso!

Deixe a interface de seu Orkut, GMail e outros serviços no idioma. Configure também o Google para que ele realize primeiro a busca nos sites na língua estudada.

Adicione muitos blogs e portais de notícia no seu leitor de RSS, assim poderá acompanhar suas atualizações todos os dias!

Amigos estrangeiros

Existem zilhões de sites com chats e comunidades virtuais onde você pode conhecer estrangeiros. Sabemos que forçar a fala não é algo benéfico para o idioma, mas testar como anda seu output algumas poucas vezes na semana pode trazer um pouco mais de motivação.

Livros

Troque seus livros em português por livros em outro idioma. Você pode comprar facilmente pela internet em sites como o Amazon, além das milhares de outras livrarias virtuais que cada país possui. Aproveite que não são cobrados impostos de importação em cima de livros.

Utilize um SRS

Uma das vantagens mais legais de adquirir o hábito de usar um programa de Spaced Repetition System é que todos os dias você acaba obrigado a ver pelo menos um mínimo no idioma.

Alguma das dicas apresentadas parecem óbvias, mas mesmo assim muitas pessoas insistem em continuar presas a livros didáticos e salas de aula. Falta de material e conteúdo não é uma desculpa, pois graças a tecnologia, o mundo inteiro está em nossas mãos.

Faça com que a tecnologia trabalhe a seu favor e terá muito sucesso!

Imersão Artificial: O que é?

Considerando que para aprender um idioma precisamos de muito input, nada mais propício do que estar imerso. É assim que aprendemos o português e é assim que pessoas que fazem intercâmbio acabam aprendendo a língua estrangeira.

Mas como ficar imerso quando não temos condições de passar um tempo no país em que o idioma é falado ou não temos um convívio diário com estrangeiros que falam o idioma que estamos aprendendo?

Há dez anos atrás este era um problema difícil de se resolver, mas hoje, com a popularização da informática, a disponibilidade de internet rápida e o baixo preços dos players de multimídia portáteis, podemos criar o que chamo de Imersão Artificial.

Apesar de todo este avanço, muitas pessoas insistem em continuar estudando da maneira arcaica, além de reclamarem da impossibilidade de ir para o exterior e da falta de contato com estrangeiros ou outros estudantes do mesmo idioma. A grande verdade é que com a tecnologia de hoje podemos simular uma imersão suficiente para aprender um idioma tão bem quanto se estivéssemos no exterior.

Criar um ambiente de imersão artificial consiste em usufruir das facilidades do computador e da internet para estar sempre rodeado por coisas no idioma. Hoje em dia, isto é completamente plausível.

Claro que para isso é necessário atitude e uma boa dose de querer.

Comece a partir de agora a pensar no que você pode fazer para aumentar o seu contato com o idioma estudado. Providenciar mais músicas? Assistir mais vídeos? Baixar podcasts? Procurar amigos estrangeiros na internet?

Na sequência daremos dicas de como criar esse ambiente de imersão artificial!

Aprendendo o significado das palavras

Esse é meu primeiro post aqui no Language Freaks e eu gostaria de começar falando um pouco sobre algo que, ao estudarmos um idioma, acabamos esquecendo: o significado. Estudamos a gramática, as explicações e os porquês do idioma, mas, muitas vezes, esquecemos o mais importante, que é o significado. Deixe-me ilustrar minha ideia com um exemplo:

Whose pencil is this?

Eu posso te ensinar esse frase e sua estrutura gramatical de dois modos diferentes.

O primeiro seria assim:

Whose é um pronome interrogativo, também chamado de WH question. Ele é sempre usado para fazermos uma pergunta, usando, nesse caso, a estrutura “Whose + noun + is this?“, como nos exemplos:

Whose pencil is this?
De quem é esse lápis?
Whose umbrella is this?
De quem é esse guarda-chuva?
Whose book is this?
De quem é esse livro?

Entendido? Ok, vamos para o segundo modo.

“Whose” significa “de quem”. Com ele eu posso fazer perguntas do tipo:

Whose pencil is this?
De quem é esse lápis?
Whose umbrella is this?
De quem é esse guarda-chuva?
Whose book is this?
De quem é esse livro?

Entendido? Ok, ótimo!

Agora me diga: qual a diferença entre os dois métodos? A diferença é que, no primeiro, complicamos o que pode ser simples, adicionando informações desnecessárias como a classe gramatical da palavra, sua denominação segundo livros de inglês e a explanação da estrutura da frase. Já no segundo, vamos direto ao ponto mais importante, o significado. Aprendemos que “whose” é “de quem” e logo vemos como se dá o uso da nova palavra. O segundo método é mais rápido e eficiente, pois associamos as novas palavras e frases com significados que já sabemos em português, enquanto no segundo, a associação é feita com noções gramaticais abstratas, que, mesmo em português, são complicadas e confusas! As regras e noções de gramática só fazem sentido após o entendimento das palavras e frases e podem vir a corrigir um ou outro deslize, mas nunca devem ser tomadas como um meio para o aprendizado do idioma.

Você, como estudante de idiomas, deve focar seus estudos completamente no significado das palavras, frases e textos, deixando que a gramática, as explicações e os porquês façam sentido por si mesmos. Para que isso aconteça é preciso duas coisas: muitos exemplos e atenção por parte do aprendiz. Os exemplos, em conjunto com boas traduções, tornam o entendimento das frases simples e rápido. A atenção do aluno é necessária para que ele, por si mesmo, note os significados, as associações e os padrões das frases. Um aluno atento e curioso, com um bom montante de exemplos, pode aprender qualquer estrutura ou “regra gramatical” facilmente, apenas observando e estudando algumas poucas frases. É por isso que minhas aulas são totalmente focadas em significado, sempre com muitos exemplos. Isso funciona, principalmente, quando feito desde o início do aprendizado. O aluno que aprende via significado é uma maravilha. O aprendizado é super natural e as dúvidas vão sendo resolvidas por elas mesmas. Por outro lado, temos os alunos viciados em regras e explicações, que, mesmo depois de entenderem o significado, querem saber a regra e o porquê. Por fim, temos o caso crítico, os alunos que não entendem o significado porque a única coisa que querem entender são regras e porquês. Mudar a cabeça desses alunos não é fácil, de fato, chega a ser desanimador, mas eu sempre tento, explicando que eles devem estudar “assim e não assado”. Meu conselho final é: aprenda a aprender via significado (o que é diferente de tradução), pois isso vai, com certeza, melhorar muito o seu aprendizado e o seu feeling para com o idioma.

Bom, por hoje é só. Abraços a todos e bons estudos!