Input acima de tudo!

Tanto eu quanto o Luiz somos uns “inputeros”. Calma, não é palavrão não! Eu quero dizer que somos viciados e adeptos da teoria do Input. Mas que diabos é isso? Como o Luiz explicou aqui, Input é tudo que entra, tudo o que você escuta e lê num idioma. Esse texto que você está lendo agora, assim como a música que você está (provavelmente) escutando, são formas de Input (nesse caso, Input em língua portuguesa).

Quando digo que somos viciados e adeptos da teoria do input, quero dizer que acreditamos que Input é o método definitivo para se aprender idiomas. Enquanto nos métodos tradicionais a lei é “fale bastante para aprender a falar”, acreditamos justamento no oposto “fale o mínimo possível para aprender a falar!”

Isso pode parecer revolucionário, extremista ou sem fundamento, mas é o que a experiência de anos de estudos vem nos mostrando. Deixe-me explicar como isso funciona…

Por que todo mundo é capaz de responder essa pergunta quase sem pensar?

Pergunta: What’s your name?
Resposta: My name is fulano.

Eu creio que 80% ou mais das pessoas sabem responder a pergunta sem NUNCA terem treinado ou feito exercícios sobre “What’s your name?” e “My name is…”. A razão disso é que todo mundo já ouviu e está cansado de ouvir estas frases! De tanto ouvir, você já é capaz de repetí-las sem nunca tê-las praticado!

Um outro exemplo: quando você vê um comercial de TV várias vezes, não acaba lembrando das falas do comercial? “Sempre coca-cola”, “Globo e você, tudo a ver”, “Amo muito tudo isso”, “Oi!” (lembra da criancinha do comercial da Oi?), etc. Tudo isso fica guardado na nossa cabeça, incluindo a voz, o ritmo e a entonação do narrador/falante. Ninguém fica em casa repetindo “Globo e você, tudo a ver”, mas todo mundo lembra da frase e é capaz de citá-la caso necessário.

Isso tudo é resultado de Input. Exposição a uma determinada informação a tal ponto que ela (a informação) fica sedimentada na nossa cabeça.

No aprendizado de idiomas, os que aprendem mais são os que têm mais Input, ou seja, os que passam mais tempo expostos ao idioma. São aqueles que assitem a mais filmes, jogam mais videogame, leem mais livros, escutam mais músicas e assim por diante. Não adianta só ir na aula e fazer a lição, é preciso estar constantemente em contato com o idioma, deixando que a língua entre de pouquinho em pouquinho na sua cabeça.

Uma boa metáfora para entender a teoria do Input é pensar que existe um copo d’água dentro da sua cabeça e cada vez que você lê/escuta algo em inglês/japonês/chinês/etc. uma gota d’água é colocada no copo. Aos poucos, o copo vai enchendo. Quanto mais cheio, mais você entende. Um dia, ele vai transbordar e a água começará a sair do copo. É exatamente nesse ponto que você vai começar a falar! Você pode ver que todo mundo que fala um idioma estrangeiro tem ou teve uma alta exposição ao mesmo em algum ponto de suas vidas, seja viajando para o exterior, vendo centenas de filmes e seriados, jogando centenas de horas de videogame ou lendo toneladas de livros, revistas e blogs. É justamente essa exposição (e não as aulas e o “treino” de fala) que faz com que eles consigam falar o idioma fluentemente.

Gastamos tempo demais produzindo a língua (Output), fazendo exercícios e treinado a nossa fala, enquanto deveríamos estar escutando e lendo. A orientação que tenho nas escolas de inglês é fazer com que os alunos falem o máximo possível. No início, até pensei que isso daria certo, mas quanto mais eles falam, piores ficam (principalmente nos níveis iniciais), falando cada vez mais errado e entendendo cada vez menos. Já quando dou liberdade para os alunos falarem em português, porém me comunico com eles em inglês, eu noto que, quando eles precisam falar, saem-se normalmente muito melhor do que aqueles que ficaram treinando a fala sem ter tido uma boa carga de Input. Acredito que isso acontece, pois eles (os que falam bem) estão acostumados a ouvir inglês correto e compreensível, além de não terem a constante pressão e o nervosismo do tipo “tenho que falar inglês na sala”.

Se você tem dificuldades para falar o idioma que estuda, eu sugiro parar e pensar na quantidade de Input que recebe. Quantas horas por semana você escuta o idioma? Quantas páginas você lê? Tente aumentar esse número e diminuir o tanto que fala e faz exercícios. Continue nesse ritmo durante alguns meses e espere os resultados, pois eles virão! Como eu disse no título do post: Input acima de tudo!

Saiba mais

Antimoon – Input
Stephen Krashen’s Theory of Second Language Acquisition

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One Response to “Input acima de tudo!”

  1. Luiz says:

    Acho que já está mais que provado que focar no input é a melhor maneira de se aprender um idioma.

    Pessoas que se preocupam unicamente com input e deixam com que o output venham naturalmente falam com uma naturalidade maior, além de raramente terem problemas com pronuncia.

    Ouvir para falar
    Ler para escrever

    Isso é tudo!

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